Acordou com os raios de sol que penetravam pela janela no quarto escuro. Parecia que tinha dormido poucos minutos, mas já estava naquela cama há oito horas.
Levantou vagarozamente e desceu as escadas com um sono que a faria dormir o dia inteiro. Tomou café, pegou o jornal jogado à porta e começou seu ritual matinal.
“Mais uma garota sequestrada, mais uma rebelião em uma prisão qualquer, mais um homem morto à balas, mais um tiroteio em uma favela.”
Nada de mais. Seu cérebro já está anestesiado. Como qualquer outro brasileiro, vê a violência como algo natural. A partir daquele momento era só rotina. Sair para trabalhar, estudar, voltar pra casa.
Nada tinha mais graça. A comida não tinha mais gosto, o sono não a satisfazia, a água não matava sua sede, viver era entediante demais.
Sentia que cada dia era igual ao anterior. Estava cansada e não queria mais nem levantar… até o dia em que se apaixonou e tudo começou a fazer mais sentido. Aprendeu então a apreciar cada segundo da sua vida.