Parecia que acabara de acordar
Seus cabelos despenteados
E seus olhos inchados de quem passa a noite em claro
O denunciaram
Estava parado ali, na minha frente
Pedindo algo incompreensível à nossa língua
Seus olhos verde-musgo penetrantes
Encheram-se de lágrimas de arrependimento
- Eu te quero – diziam – preciso de você
Pela primeira vez em dois anos era sincero
Fiquei ali, observando a criatura
Que tanto me fizera sofrer
Mas algo estava diferente,
Seu olhar era outro, não o deixava mentir
Pedia meu perdão sem dizer uma palavra,
Apenas me lançou aquele olhar obtuso
Que me fez amá-lo ainda mais.
jul21