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Textos sem noção e absolutamente fictícios…

O meu sonho sobrenatural

O meu sonho sobrenatural

De vez em quando tenho sonhos bizarros. Sonho com filmes, com livros, com séries, enfim, com qualquer coisa que venha a ser produzida para fins de entretenimento.

Costumo sonhar que sou uma das personagens da história em questão. Algumas vezes sou uma personagem já existente na história ou então uma personagem inventada por mim. Obviamente, eu costumo sonhar com histórias que eu realmente goste, tanto por me identificar intimamente com elas ou então pelo fato de imaginar como seriam se elas fossem reais. Ultimamente – já que estou de férias – tenho assistido a muitos filmes e séries de tv, devido ao meu enorme tempo ocioso livre. Assim, meus sonhos hollywoodianos têm sido muito mais comuns.

Uma das minhas séries de tv favoritas (se não A favorita) é Supernatural. Sim, eu adoro histórias sobrenaturais e de ficção (não que eu acredite em nada disso, sou uma mulher da ciência, mas é divertido ler/ver histórias de anjos, demônios, vampiros e lobisomens). Ontem mesmo sonhei com Supernatural, mas diferentemente da maioria dos meus sonhos, eu não era uma personagem da história.

Eu era a roteirista.

Nós estávamos gravando o último episódio da série, os irmãos Dean e Sam haviam, enfim, sucumbido à vontade divina (?) e dito “Sim” ao arcanjo Miguel e à Lúcifer, respectivamente. Após uma despedida extremamente emocionada dos dois irmãos, os dois decidiram que essa seria a única forma de colocar um fim no apocalipse e assentiram, enfim, que seus corpos fossem usados como receptáculos pelos anjos supracitados.

Com um show de efeitos especiais, foi iniciada a luta apocalíptica que decidiria todo o futuro da humanidade. Ambos lutavam bravamente, provando o poder tanto do bem quanto do mal e desferiam golpes celestiais e angelicais (lembrem-se que, antes de mais nada, Lúcifer é um anjo). Por um momento, Miguel, com os golpes perfeitos de sua espada, comanda a luta e dá a entender que o céu ganharia a batalha, até que Lúcifer, num golpe desesperado e certeiro, derruba seu irmão e sorri, satisfeito. Ao aproximar-se de Miguel, já muito ferido e quase morto (admito que ver o Dean daquele jeito é de partir o coração), o Lúcifer-Sam, com toda aquela pompa que só o Diabo tem, começa a se gabar pelo fato de ser o novo soberano da Terra e sarcasticamente, pergunta a Miguel quem iria ajudá-lo, já que todos os seus irmãos haviam desaparecido.

Eis então, que numa fração de segundos, rápido como o vento e quente como a lava fumegante, surge Entei. Ele rapidamente derruba Lúcifer e o subjuga ao poder incomparável da fúria de um vulcão em erupção. Tendo a situação sob controle e zelando por todas as almas desesperadas à espera do desfecho da luta mais importante de todos os tempos, Entei dirige-se à Miguel – muito ferido, porém vivo – e com toda a sua grandiosidade, profere apenas quatro palavras:

-Tá tudo bem agora.

E a humanidade regozijou-se ao encontrar o paraíso na Terra.

……………..

Algo me diz que eu tenho passado tempo demais na internet…

A Decisão

A Decisão

10h00. Ela ainda estava deitada, em um daqueles momentos em que temos dúvidas se iremos levantar ou não. Por sua cabeça passavam os últimos acontecimentos, em flashs tão nítidos, que pareciam estar acontecendo novamente à sua frente, só que dessa vez ela era apenas uma espectadora. Ao se ver naquela posição, tão fraca e impotente, ela chorou. E foi um choro muito mais honesto do que as lágrimas derrubadas quando a cena realmente aconteceu. Ela chorou porque havia quebrado a promessa que ela havia feito à pessoa mais importante da sua vida: ela mesma.

Quando ainda era uma adolescente, testemunhou o sofrimento de sua mãe quando seu pai as abandonou, sem ao menos lhes dar satisfação. Lembrou do dia em que o pediu que lhe comprasse sorvete e também se lembrou de tê-lo visto cruzar a porta de casa e nunca mais voltar. Naquela época se sentiu culpada, afinal de contas, ele havia saído a seu pedido, mas com o tempo chegou à conclusão que seu pai estava apenas insatisfeito com a vida que levava e foi covarde por não ser honesto com as duas. Ela nunca mais ouviu falar dele, até hoje não sabe se está vivo ou morto, mas na verdade não se importa.

Sua lembrança mais vívida do seu próprio passado é a da sua mãe, chorando pelo homem que era sua vida, no qual depositara todas as esperanças e a viu definhar à sua espera. No dia em que sua mãe faleceu, prometeu a si mesma que jamais deixaria que um homem a fizesse sofrer daquela forma. Decidiu que seria forte, que usaria os homens, que tiraria deles apenas o que precisasse e logo depois os descartaria.

Por toda a sua vida havia sido dessa forma, pelo menos até conhecer o Daniel. Ele parecia ser diferente de tudo o que ela conhecia, parecia entender a sua alma, suas necessidades, seus desejos mais intrínsecos e o mais importante: a amava verdadeiramente. Depois de muito relutar, ela finalmente se entregou. A desculpa que contou a si mesma tantas vezes passou a soar como verdade. “Ele é diferente, eu sei disso”.

E por muito tempo foi o que pareceu, e durante três anos foi a mulher mais feliz do mundo. Até a noite anterior, quando seus sonhos foram destruídos ao ver seu amado com outra mulher.

Quando o celular despertou pela décima terceira vez, após várias sonecas de dez minutos, resolveu levantar. Tomou um banho, deixando a água lavar seu corpo, desejando intimamente que pudesse também lavar suas memórias. Não foi trabalhar, nem ligou pra explicar o motivo da sua falta; ao invés disso, ligou para sua melhor amiga, Ana, e chorando como criança, contou tudo o que aconteceu na noite anterior. Exatamente quarenta e dois minutos depois a campainha tocou, seguida da familiar voz, que a consolava há tantos anos, desempenhando o papel que deveria ser o da sua mãe. Durante os quinze minutos seguintes, chorou no colo de Ana, que esperou pacientemente até que a última lágrima caísse.

Ana então olhou em seus olhos, tocou seu cabelo e passou a mão gentilmente pelo seu rosto. Tinha um sorriso que agora não lembrava mais o de uma mãe e sim, o de uma companheira, uma mulher que sabia o que ela estava passando, que entendia cada lágrima derramada e cada soluço desperdiçado por alguém que não merecia. Sentiu um frio lhe subir à espinha ao experimentar um desejo que não conhecia. Aos poucos se aproximou daquela mulher, sem se preocupar com o que ela iria pensar e num impulso, beijou seus lábios. Ao ter seu beijo correspondido, foi invadida por um turbilhão de sensações que lhe diziam que, a partir daquele momento, sua vida mudaria completamente.

Teoria da Conspiração

Teoria da Conspiração

Ontem eu estava dirigindo, alegre e contente (tá, não tão contente) pela Rua Fábio Franco a caminho do Centro da cidade de Macaé. Eis que eu vejo uma cena que não imaginaria: as obras em frente ao supermercado ABC acabaram! Tamanha foi a minha surpresa, que mesmo podendo pegar aquele tão sonhado caminho mais curto até o meu destino, acabei seguindo o caminho que antes era o desvio, por costume mesmo, durante os dois meses em que a obra aconteceu.

Ao voltar, tentei buscar sinais de alguma melhoria naquele trecho, afinal, aquela obra durou tanto tempo que já estávamos até esquecendo que aquela era uma rua transitável. Depois de muito procurar, não encontrei nada. O asfalto continuava irregular e com buracos, o valão, enorme e majestoso, permanecia à céu aberto, a linha de trem ainda estava lá, na exata posição de antes. Foi aí que minha mente – que quando está à toa, tende a pensar as bobagens mais absurdas – começou a divagar sobre as prováveis reais causas daquele enorme transtorno que nos foi imposto pelos últimos meses.

Começou com a simples idéia de um metrô. Imagina, um metrô em Macaé! Mas a minha idéia logo se dissipou, porque uma cidade que não consegue ter um transporte organizado sobre a terra com certeza não seria capaz de construir um metrô. Passei então a considerar a possibilidade de terem encontrado um grande reservatório de petróleo bem no coração da cidade, mas logo desisti dessa porque seria improvável que não o tivessem descoberto antes…

Mas aí, algo me veio à cabeça e os fatos iam se ligando de forma que eu me convenci completamente: Um setor secreto da prefeitura estava escavando e retirando do subsolo uma nave alienígena que havia caído e se enterrado naquele exato local no início dos anos 50. Até então, ninguém sabia de sua existência porque a falta de planejamento da cidade e seu crescimento desordenado foram palco para uma série de obras mal feitas que acabaram por prender o meio de transporte alienígena e toda a sua tecnologia avançada sob toneladas de esgoto e asfalto.

Os inúmeros buracos, que cobrem toda a cidade e vêm aumentando de maneira absurda nos últimos tempos, são resultado de atividades sísmicas devido a processos de vibração do aparato alienígena, ao tentar se libertar de sua prisão. Até então, o chefe do Setor de Assuntos Paranormais (SAPA) da prefeitura não havia encontrado o local exato da queda da nave e aconselhou o prefeito que evitasse cobrir os buracos e consertar as ruas porque acreditava que eles formavam um padrão de códigos que desvendaria sua localização.

Obviamente, a prefeitura se preocupa imensamente com a série de ataques que vêm acontecendo ultimamente e usa todas as economias da cidade para proteger a população de prováveis ataques e é claro, de um grande quadro de pânico em massa. Para preservar a saúde mental e física de seu povo, o prefeito decidiu que esse segredo seria mantido a sete chaves. Isso explica, também, é claro, a necessidade do poder manter-se sempre nas mãos da mesma família. Não há causa mais nobre para a manipulação dos votos do que a proteção de tantos inocentes. Como dizia Maquiavel, “os fins justificam os meios”, e o atual prefeito está sendo nada mais do que totalmente altruísta ao aceitar carregar o fardo da família e cuidar tão bem dos cidadãos macaenses.

Depois de tantas revelações, passei a ter um respeito enorme pelos políticos macaenses, afinal, deve ser mesmo muito difícil conter uma ameaça tamanha e ainda por cima administrar uma cidade tão grande com a ínfima quantia de dinheiro recebida dos royalties…

Rotina

Rotina

Acordou com os raios de sol que penetravam pela janela no quarto escuro. Parecia que tinha dormido poucos minutos, mas já estava naquela cama há oito horas.

Levantou vagarozamente e desceu as escadas com um sono que a faria dormir o dia inteiro. Tomou café, pegou o jornal jogado à porta e começou seu ritual matinal.

“Mais uma garota sequestrada, mais uma rebelião em uma prisão qualquer, mais um homem morto à balas, mais um tiroteio em uma favela.”

Nada de mais. Seu cérebro já está anestesiado. Como qualquer outro brasileiro, vê a violência como algo natural. A partir daquele momento era só rotina. Sair para trabalhar, estudar, voltar pra casa.

Nada tinha mais graça. A comida não tinha mais gosto, o sono não a satisfazia, a água não matava sua sede, viver era entediante demais.

Sentia que cada dia era igual ao anterior. Estava cansada e não queria mais nem levantar… até o dia em que se apaixonou e tudo começou a fazer mais sentido. Aprendeu então a apreciar cada segundo da sua vida.

Silêncio

Silêncio

Ela o encarava com um olhar furioso. Onde ele havia passado a noite, não sabia. Tentava olhar além de seus olhos, como se quisesse invadir seu cérebro; procurava uma fraqueza, algo que o entregasse. Ele estava quieto, com a expressão cansada, mas acreditava que não havia feito nada demais.
Ela segurava o impulso de chorar, escondia o medo de ter sido traída. Não perguntava nada, apenas o perfurava com os olhos.
Ele também não dizia nada, tinha medo de começar uma briga porque não sabia o que se passava na cabeça dela. Afinal de contas, qual era o problema em se passar uma noite na casa do amigo de infância?
Foram embora sem trocar uma palavra. Ela, se sentindo traída; ele, se sentindo injustiçado.
E mais uma vez, o que poderia se tornar um grande amor acabou por falta de poucas palavras.

O Despertar

O Despertar

Era uma manhã de dezembro quando ela acordou, lá fora fazia um calor insuportável, mas o ar-condicionado do quarto não a deixava perceber.

Olhou para os lados tentando recordar-se de alguma coisa. Nada vinha à cabeça. Tentou levantar, mas seu corpo todo doía e o cheiro de éter a fazia sentir náuseas.

-Onde eu estou afinal? – perguntava para si mesma, mas sabia a resposta, apenas não sabia o porquê de estar ali.

Tentou chamar alguém, mas ninguém respondeu. Chamou novamente, então uma enfermeira esbaforida adentrou o quarto e com um sorriso de orelha a orelha, sem dizer sequer uma palavra, novamente saiu correndo.

-Que mulher estranha essa – pensou ela.

Mas para sua surpresa, via rostos conhecidos agora. Sua mãe, seu pai e seus irmãos a enchiam de beijos e carinhos.

Ainda sem entender o que acontecera, olhou para todos confusa, como se perguntasse o que fazia ali.

-Ela ainda deve estar meio zonza – explicou a enfermeira – é o efeito dos remédios – completou.

-Você sofreu um acidente, minha filha – disse a mãe – foi atropelada por um motorista bêbado há duas semanas e desde então está
em coma. Não sabe a felicidade que é vê-la acordada novamente. Os médicos tinham poucas esperanças, mas eu nunca duvidei que você conseguiria sobreviver. Você é a nossa guerreira.

-Sem dúvida foi um milagre – disse a enfermeira.

Ela não sabia o que pensar. Não lembrava de nada, mas saber que quase morrera foi um choque muito grande.

-Acredito que o Dr. Marques irá liberá-la em alguns dias, só será necessário agora um período de observação.

A volta para casa foi uma das coisas mais deliciosas da sua vida. Quando saiu do hospital sentiu o calor de mais uma tarde de verão. Agradeceu baixinho por ver o sol novamente e seguiu em rumo a uma vida bem melhor.