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A realidade de Macaé vista pelos olhos de uma macaense.

Cingapura? Isso aqui é Brasil!

Cingapura? Isso aqui é Brasil!

Recebi um e-mail esses dias com o título “Cingapura já!”.
Fiquei extremamente surpresa ao descobrir o conteúdo desse…
O início do e-mail é o seguinte:

“Um militar, com mão de ferro, assumiu o comando do país.
Em seis meses, dos cerca de 500 mil presidiários sobraram somente 50.
Todos os outros (criminosos confessos) foram fuzilados.
Todo homem público (político, policial, etc) corrupto foi fuzilado (Existiam milhares de provas contra eles).
Todos os empresários ladrões foram fuzilados ou fugiram rápido do país.
Aquela multidão de drogados que ficavam dormindo nas ruas fugiram desesperados para a Malásia para não terem que trabalhar ou seriam fuzilados.
Tinha uma mensagem de televisão onde o novo governo avisava que o país estava com câncer e que a única solução era extirpá-lo.”

O e-mail termina com a seguinte frase: “O BRASIL tem solução!!!”

Fiquei atônita. Sério. Fiquei encarando a tela do computador por cinco minutos. O que levou uma pessoa a escrever tamanha baboseira? Muito me impressiona que um brasileiro, que sabe tudo o que aconteceu no país na época da ditadura, tenha a coragem de sugerir que o nosso país ande para trás, que perca a liberdade e a democracia que a tanto custo conquistou.
O Brasil é perfeito? É óbvio que não. Mas isso não significa que devamos apoiar a adoção de uma política hitleriana, em que é muito mais fácil simplesmente matar aqueles que não se encaixam nos padrões da sociedade do que lidar com eles. As coisas não funcionam assim.
É muito fácil colocar a culpa da realidade brasileira nas mãos dos políticos. É muito fácil culpar o presidente. Difícil mesmo é assumir que o brasileiro não sabe votar e que quem está no poder só está por culpa nossa.
Sinto pena e vergonha por essa pessoa. E tenho medo de quem defende a intolerância a todo custo. Ninguém é perfeito. Ninguém é infalível. Todo cidadão tem o direito indiscutível de se defender perante à justiça. E todo mundo tem direito a uma segunda chance, se assim desejar e merecer.

O câncer do Brasil é muito mais grave do que se imagina. Só espero que ainda tenha cura.

A cidade do tamanho de um ovo e seus cidadãos-praga

A cidade do tamanho de um ovo e seus cidadãos-praga

Eu nasci em Macaé.

Pra quem não conhece, Macaé está localizada no Rio de Janeiro, próxima a Campos, e é muito conhecida pela sua produção de petróleo e enorme população flutuante de gringos. Macaé é uma cidade relativamente grande e ao mesmo tempo, pequena. Grande porque é geograficamente razoável, tendo uma área total de 1.215,904 km², e pequena porque é um ovo. Sim, é um ovo.

Para entender o que isso significa, vamos tornar a explicação fácil exemplificando-a. Digamos que você mora em Macaé e quer que sua existência seja um segredo para todos os outros moradores de tão peculiar cidade. Você é tímido e detesta que as pessoas falem sobre você, conheçam você ou descubram que você já foi fã das Spice Girls e das Chiquititas – o que não é o meu caso (tá, eu gostava das Spice Girls) – pois bem, caro morador fictício, Macaé não é a cidade para você.

Eu digo isso porque lá todo mundo se conhece. E mesmo que nem TODAS as pessoas da cidade te conheçam DIRETAMENTE, com certeza conhecem alguém que conhece alguém que já esteve 5 minutos com alguém que te conhece. E acredite, caro morador fictício da cidade de Macaé, se você fizer alguma coisa embaraçosa como dançar a dança do siri em plena Praia dos Cavaleiros, todos aqueles que realmente te conhecem ficarão sabendo desse seu pequeno “deslize”.

Agora que todos já entenderam mais ou menos como funcionam as coisas em Macaé, devem entender também que macaense é praga. Antes de mais nada, devo deixar bem claro que “macaense” não é só quem nasce em Macaé e sim, qualquer um que por ventura venha a se estabelecer em tal cidade; seja porque seu pai foi transferido para a Petrobras, seja porque viu no Globo Repórter que lá tem emprego fácil, seja porque você é extremamente azarado e acabou por ficar preso em uma cidade que tem o tamanho de um ovo. Macaense é praga porque em qualquer lugar do mundo há um macaense. Se essa pessoa não nasceu ou morou em Macaé, com certeza já esteve lá ou conhece alguém que mora lá ou conhece alguém que já tenha passado por lá. Isso é fato.

Imagine agora a seguinte situação imaginária: Você, morador de Macaé, está passeando pela Praça Dam, em Amsterdam (eu faria um trocadilho, mas não é necessário) e de repente, ouve uma frase em uma língua conhecida:

-”Pô, cara, eu acho que a linha da pipa daquele menino vai ‘pocar’”.

Você se vira e pergunta:

-Brasileiro?
-Iaê, cara, tudo bom? Sou brasileiro sim!
-É de onde?
-De Macaé, e você?
-Pô, eu também…

O macaense também é conhecido por vivenciar um período que pode ser comparado com o Rumspringa, dos Amish. É costume, para quase todos os macaenses que completam o Ensino Médio, ir morar em alguma cidade próxima para completar mais um estágio de sua educação: a faculdade. Após a faculdade, muitos retornam para Macaé e vão trabalhar na Petrobras para o resto de suas vidas; os demais espalham-se pelo mundo como ervas daninhas prestes a tomar o lugar e os nutrientes das outras plantas.

Um dos destinos preferidos dos macaenses é uma cidade chamada Niterói, que é um bairro do Rio de Janeiro que fica próxima ao Rio de Janeiro. Se você estiver caminhando pelas ruas de Niterói em pleno período escolar, pode ter certeza que 70% dos habitantes de lá são macaenses vivenciando seu “Rumspringa”.

Eu já encontrei macaenses nos lugares mais inusitados e olha que eu nem conheço tanta gente assim. Encontrei-os em outra cidade, em outro estado e até em outro país. Eu acho isso assustador, mesmo sendo macaense.

Onde quer que esteja, não tenha dúvidas, há sempre um macaense perto de você ;)

EMART

EMART

feel the musicEu sei que ultimamente eu tenho criticado muito a cidade em que moro… É claro que esse é o meu papel, como macaense e moradora e o que posso fazer pela minha cidade é mostrar a minha visão sobre o que acontece por aqui.

Mas quando eu vejo algo digno de ser elogiado, preciso reconhecer.

Na terça-feira eu e Raphaela estávamos divulgando a Mostra de Cinema Ambiental que ocorreu ontem na praça (que aliás, foi um sucesso) e imaginamos que poderíamos colocar um cartaz no Centro Macaé de Cultura. Chegando lá, conversamos com uma senhora muito simpática do 1º andar, onde fica a biblioteca, que nos permitiu que colocássemos o cartaz no mural que fica na entrada.

Foi também por ela que recebi a informação da existência de uma escola de artes no 3º andar. Eu já sabia que haviam aulas de desenho e pintura no Centro Cultural… mas nunca imaginei que havia uma Escola Municipal de Artes funcionando ali!

Obviamente, subi para conferir. Chegando lá, fui atendida por uma moça também extremamente simpática, que me explicou que ali eram ministradas aulas de música, tanto de canto quanto de vários instrumentos, além das de desenho e pintura que eu já conhecia. A única coisa que precisávamos fazer para assistir essas aulas era colocar nossos nomes e telefones em uma lista de espera e claro, sermos moradores de Macaé e estarmos estudando.

Me inscrevi em algumas categorias, inclusive a de percepção musical, em que aprendemos a teoria da música. No dia seguinte, fiz um nivelamento, para saber se conseguia ouvir sons e repetí-los (e consigo! :D ) – e foi então que eu descobri que haviam retirado o cartaz da entrada da biblioteca (!). Mas o mais importante sobre a Escola Municipal de Artes (EMART) é que os professores são extremamente capacitados e é tudo de graça! Sim, de graça!

Taí, Macaé… Finalmente posso dizer: Parabéns!

1ª MosCA Macaé

1ª MosCA Macaé

Eu escrevo sobre Macaé não só porque sou macaense, mas também porque acho um absurdo ver tudo o que acontece por aqui e não fazer nada. Como sou apenas uma estudante de biologia, sem poder político ou aquisitivo, devo utilizar as armas que tenho ao meu alcance: minha liberdade de expressão e minha voz.

Acredito que cada um de nós tem a vontade de mudar muita coisa, mas sozinhos não temos força. É clichê sim, mas só o é por ser verdade: juntos nós podemos fazer a diferença.

Ações como expor nossa opinião, escrever, discutir, manifestar, são direitos que não podemos deixar que tirem de nós. A repressão e censura hoje estão latentes, mas ainda existem e funcionam a partir do medo e apatia. Precisamos usar nossas armas, precisamos mostrar o que nos incomoda, caso contrário, jamais veremos mudanças.

A culpa dos problemas que acontecem na cidade não é nossa, mas é nossa culpa não tentar fazer nada para mudar. Podemos, porém, começar a mudar esse quadro no dia 13 de agosto, na praça Veríssimo de Melo, a partir das 18h. Nesse dia, ocorrerá a Primeira MosCA (Mostra de Cinema Ambiental) de Macaé, em que serão exibidos filmes que despertarão discussões sobre a temática: “Macaé, onde estão os Royalties?”. Compareça! Participe! Faça a diferença e mostre a sua voz!!

cartaz_mosca_macae

Como está o seu conhecimento sobre a aplicação dos royalties em Macaé?

Trem em Macaé? Oh, really?

Trem em Macaé? Oh, really?

Hoje recebi a notícia, vinda de uma das 10 Natalias da faculdade (sim, só no curso de biologia, que no meu pólo tem sete turmas, 10 meninas se chamam Natalia, Natália, Nathalia ou Nathália), que a antiga linha de trem da cidade voltará a ser utilizada. Adivinhem como? No transporte público! Sim, meus amiguinhos macaenses, segundo propagandas da prefeitura, a partir de 2010, as obras para reformar e reformular o transporte ferroviário serão iniciadas.

-”Ótimo”, pensei eu, “talvez assim o transporte público aqui melhore”.

Eis que Natalia complementa a informação dizendo que haverão apenas três pontos de embarque e desembarque: um no Lagomar, um no Centro e um no Parque de Tubos.

COMO ASSIM? Quer dizer que agora, se eu quiser ter uma alternativa para viajar dentro da cidade, se quiser um transporte mais rápido, mais seguro (afinal, o trem anda em linha reta, e nos trilhos), preciso estar em um desses três pontos e obrigatoriamente descer em outro desses mesmos três pontos?

Comecei então a pensar sobre o assunto… No final das contas isso não vai só piorar o trânsito na cidade? Afinal, quanto tempo os carros ficarão parados nos cruzamentos das ruas com a linha férrea, esperando o trem passar?

Só não estou mais preocupada porque sei que essa obra só vai sair quando a estrada Macaé – Rio das Ostras for duplicada: nem tão cedo ou nunca.

trem.

Transporte Urbano

Transporte Urbano

Eu tenho carro. Começo esse texto com essa frase porque isso, em Macaé, faz toda a diferença. Mas apesar de hoje ter um carro, até o meu aniversário de 21 anos eu andava de ônibus, como a maioria dos estudantes de classe média que moram em Macaé.

Para quem não conhece, o transporte público em Macaé é chamado de SIT (Sistema Integrado de Transporte) e funciona da seguinte maneira: 7 terminais rodoviários foram construídos em pontos estratégicos da cidade e nestes, os passageiros têm o direito de descer do ônibus e embarcar em outro sem a necessidade de pagar uma passagem adicional.

Na teoria é lindo, faz sentido e funciona perfeitamente. Na teoria. O que a propaganda não mostra – mas está na cara – é que essa foi a desculpa para ser implantado um monopólio no transporte público macaense. A propaganda não mostra também que, antes dessa integração, a passagem custava R$1,20. Após a implantação do SIT, passou para R$1,70 e apenas 2 anos mais tarde aumentou para R$1,90. A explicação, que é repetida pelos cobradores e motoristas que mais parecem ter sido vítimas de uma lavagem cerebral, é: “Mas agora você pode pegar 2 ônibus por R$1,90”, como se isso fosse extremamente interessante em uma cidade pequena como Macaé…

O que o povo macaense não entende (e eu prefiro acreditar que o povo seja ignorante, porque não fazer nada é muito pior) é que nenhum monopólio é saudável. A falta de ônibus, o preço abusivo das passagens, o péssimo estado dos terminais e a desativação de dois deles (que até hoje não têm outro destino) são sintomas explicados pelo fato de haver apenas uma empresa de ônibus atuando em Macaé. Ou seja: o povo não tem escolha e a empresa tem o poder de todo o transporte público nas mãos.

Eu já sofri muito como transporte público aqui de Macaé. Eu moro em um dos bairros menos acessíveis da cidade. Apenas dois ônibus cobrem as linhas que passam por lá. Além disso, eu era obrigada a ir para o Centro da cidade para então, pegar outro ônibus para qualquer outro bairro. Para ir de casa até um dos pólos da minha faculdade precisava pegar os seguintes ônibus: Bairro da Glória X Terminal Central, Terminal Central X Terminal CEHAB, Terminal CEHAB X Jardim Carioca. Eu demorava, em média, 1h30min para chegar lá. De carro demoro 20 minutos. Para ir para o outro pólo, aquele que fica em frente ao shopping, precisava pegar: Bairro da Glória X Terminal Central, Terminal Central X Terminal Novo Hospital, Terminal Novo Hospital X Terminal Parque de Tubos (via Linha Azul). Nesse trajeto, eu demorava também, em média, 1h30min, talvez até 2h, enquanto de carro, demoro NO MÁXIMO, repito, NO MÁXIMO, cinco minutos! CINCO MINUTOS! Só eu vejo o absurdo nisso?

Hoje eu tenho carro. Não deveria me preocupar com isso, certo? Eu não acho. Porque me entristece ver tanta letargia, tanta falta de vontade, tanta ignorância do povo macaense no que diz respeito a cobrar pelos seus direitos. A culpa não é só do político ladrão que está no poder… É também de quem o colocou lá e não se coça pra tirá-lo.

Em quem você votou nas últimas eleições?

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Pra ilustrar, um excelente vídeo sobre a espera nossa de cada dia:

Dica: 2ª Etapa de Oficinas de Cinema Ambiental HumanoMar
Visitem: http://www.humanomar.com.br

Acontecimentos Bizarros [1]

Acontecimentos Bizarros [1]

Macaé é uma cidade que se destaca pelos acontecimentos bizarros que só ocorrem aqui. Em que outra cidade uma diária de hotel é mais cara durante a semana? Por que não aumentar o preço da gasolina na cidade do petróleo até que se torne um dos mais caros do estado? Por que não pagar R$1,90 por um ônibus numa cidade onde só existe uma empresa de transporte público?

Sabendo dessa fama, que por incrível que pareça tem fundamento, poucas coisas me assustam nessa cidade… Mesmo assim, algo estranho me chamou a atenção enquanto fazia o caminho da faculdade para a minha casa. Mesmo sabendo que pegando a Linha azul economizaria pelo menos vinte minutos e chegaria muito mais rápido em casa, prefiro sempre passar pelo Centro durante a noite, porque é mais movimentado. Assim, passo pela majestosa Barra de Macaé (que nada tem a ver com a Barra da Tijuca), atravesso a ponte Barra-Centro e pego a Rua da Praia, mais conhecida como Rua das Putas mulheres que ganham a vida alugando seus corpos. Todos sabem que no ano passado o puteiro local de trabalho das mulheres anteriormente citadas foi demolido, deixando a dúvida do que seria construído naquele local histórico de Macaé. A minha surpresa foi ver que algo já havia sido construído ali, e eu só me dei conta disso quando o prédio já estava quase finalizado.

O negócio prédio que substituiu o local de trabalho daquelas mulheres anteriormente citadas é agora a 123ª Delegacia de Polícia. Minha primeira impressão foi a de que aquela enorme construção fora levada até ali de helicóptero do dia pra noite, mas cheguei à conclusão de que sou mesmo desligada e apenas não vi o processo da obra. Mais o mais importante nisso tudo entra também na lista de acontecimentos bizarros, na categoria mais irônica: Macaé, no fim das contas, continua tendo um puteiro na Rua da Praia.

Teoria da Conspiração

Teoria da Conspiração

Ontem eu estava dirigindo, alegre e contente (tá, não tão contente) pela Rua Fábio Franco a caminho do Centro da cidade de Macaé. Eis que eu vejo uma cena que não imaginaria: as obras em frente ao supermercado ABC acabaram! Tamanha foi a minha surpresa, que mesmo podendo pegar aquele tão sonhado caminho mais curto até o meu destino, acabei seguindo o caminho que antes era o desvio, por costume mesmo, durante os dois meses em que a obra aconteceu.

Ao voltar, tentei buscar sinais de alguma melhoria naquele trecho, afinal, aquela obra durou tanto tempo que já estávamos até esquecendo que aquela era uma rua transitável. Depois de muito procurar, não encontrei nada. O asfalto continuava irregular e com buracos, o valão, enorme e majestoso, permanecia à céu aberto, a linha de trem ainda estava lá, na exata posição de antes. Foi aí que minha mente – que quando está à toa, tende a pensar as bobagens mais absurdas – começou a divagar sobre as prováveis reais causas daquele enorme transtorno que nos foi imposto pelos últimos meses.

Começou com a simples idéia de um metrô. Imagina, um metrô em Macaé! Mas a minha idéia logo se dissipou, porque uma cidade que não consegue ter um transporte organizado sobre a terra com certeza não seria capaz de construir um metrô. Passei então a considerar a possibilidade de terem encontrado um grande reservatório de petróleo bem no coração da cidade, mas logo desisti dessa porque seria improvável que não o tivessem descoberto antes…

Mas aí, algo me veio à cabeça e os fatos iam se ligando de forma que eu me convenci completamente: Um setor secreto da prefeitura estava escavando e retirando do subsolo uma nave alienígena que havia caído e se enterrado naquele exato local no início dos anos 50. Até então, ninguém sabia de sua existência porque a falta de planejamento da cidade e seu crescimento desordenado foram palco para uma série de obras mal feitas que acabaram por prender o meio de transporte alienígena e toda a sua tecnologia avançada sob toneladas de esgoto e asfalto.

Os inúmeros buracos, que cobrem toda a cidade e vêm aumentando de maneira absurda nos últimos tempos, são resultado de atividades sísmicas devido a processos de vibração do aparato alienígena, ao tentar se libertar de sua prisão. Até então, o chefe do Setor de Assuntos Paranormais (SAPA) da prefeitura não havia encontrado o local exato da queda da nave e aconselhou o prefeito que evitasse cobrir os buracos e consertar as ruas porque acreditava que eles formavam um padrão de códigos que desvendaria sua localização.

Obviamente, a prefeitura se preocupa imensamente com a série de ataques que vêm acontecendo ultimamente e usa todas as economias da cidade para proteger a população de prováveis ataques e é claro, de um grande quadro de pânico em massa. Para preservar a saúde mental e física de seu povo, o prefeito decidiu que esse segredo seria mantido a sete chaves. Isso explica, também, é claro, a necessidade do poder manter-se sempre nas mãos da mesma família. Não há causa mais nobre para a manipulação dos votos do que a proteção de tantos inocentes. Como dizia Maquiavel, “os fins justificam os meios”, e o atual prefeito está sendo nada mais do que totalmente altruísta ao aceitar carregar o fardo da família e cuidar tão bem dos cidadãos macaenses.

Depois de tantas revelações, passei a ter um respeito enorme pelos políticos macaenses, afinal, deve ser mesmo muito difícil conter uma ameaça tamanha e ainda por cima administrar uma cidade tão grande com a ínfima quantia de dinheiro recebida dos royalties…

“O que você quer ser quando crescer?”

“O que você quer ser quando crescer?”

Eu lembro, desde quando eu era um projeto de gente, que ao me perguntarem o que eu queria ser quando crescesse, eu não respondia: “bailarina” ou “astronauta” ou “domadora de leões”. A resposta era sempre a mesma: “eu quero ser política”. Tudo devido a um trabalho de escola, em que devíamos escrever uma carta ao prefeito e pedir o que julgávamos importante para a nossa cidade. Eu lembro que ao escrever a carta, haviam tantos pedidos, que eu imaginei: “esse prefeito não deve ser bom o suficiente, afinal de contas, uma cidade com tanto dinheiro (como dizem) não deveria ter nenhum problema como esses”.

Foi aí que surgiu a idéia: “quando eu crescer eu vou ser prefeita de Macaé”.

Anos depois (e muitas cartas depois), aqui estou eu, com 18 anos, estudante de biologia (ex-estudante de engenharia de produção – duas faculdades dão trabalho pra caramba), completamente distante do meu objetivo de criança. E hoje eu me pergunto: “o que eu tenho feito para melhorar a cidade em que vivo?”. A resposta é NADA.

Triste, não? Uma cidade que ganha tanto dinheiro mensalmente não deveria ser chamada de “a pior das cidades emergentes do Brasil”. Eu deveria, estar hoje, morando em uma cidade com uma das melhores expectativas de vida do país. Então… o que está errado? O governo? Eu diria que não… O que está errado nessa cidade é o povo que elege o governo.

É tão simples não? Votar no melhor candidato. Pelo menos deveria ser. Só há uma maneira de tirar uma família que está no poder há 24 anos: votando. E isso, meus amigos, só a gente pode fazer, como cidadãos, não só macaenses e também, brasileiros. Mas eu tenho certeza de que não estou falando nada que vocês ainda não saibam.

É trabalho nosso conscientizar a todos e ensiná-los a votar correntamente. Afinal de contas, até hoje, muitos (a maioria esmagadora) não sabem para que serve a opção “voto nulo”.

Pra mudar de vida temos que correr atrás dos nossos direitos. Não concorda?

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Culpa

É tudo culpa do governo…

Volência, fome, analfabetismo,

É tudo culpa do governo!

Mortes, doenças, ignorância,

É tudo culpa do governo!

Mas e o governo?

É culpa de quem?

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Pensem nisso ;)